
Sobre a rocha, 2024. Acrílico e lápis de cor sobre tela, 116 x 150 cm
“Esta coleção de Filipa Sáragga d’Orey desenrola-se como um arquivo vivo de transformação — uma profunda exploração das narrativas mais íntimas e universais da vida: maternidade, família e fé. Não é apenas uma série de obras, mas uma constelação de momentos interligados, profundamente enraizados na jornada pessoal da artista e ampliados para uma ressonância mais ampla e coletiva.”

Move montanhas, 2024. Acrílico e lápis de cor sobre tela, 130 x 150 cm

O abraço do pai, 2024. Acrílico e lápis de cor sobre tela, 120 x 100 cm

O abraço do pai, 2024. Acrílico e lápis de cor sobre tela, 120 x 100 cm

A mesa farta, 2024. Acrílico e lápis de cor sobre tela, 150 x 180 cm

Cordeiro, 2024. Acrílico e lápis de cor sobre tela, 150 x 130 cm

Amor de pai, 2024. Acrílico e lápis de cor sobre tela, 150 x 100 cm

Amor de pai, 2024. Acrílico e lápis de cor sobre tela, 150 x 100 cm

Onde há dois ou três reunidos, 2024. Acrílico e lápis de cor sobre tela, 180 x 150 cm

Parte I, 2024. Acrílico e lápis de cor sobre tela, 150 x 130 cm
As pregnâncias filhas da artista estaticoficadas nas obras, com a sua essência destilada em letras integradas harmoniosamente nas plantas e flores. Estes gestos simbólicos, simultaneamente delicados e assertivos, traçam um itinerário tanto biológico quanto psicológico. A presença de uma nova vida anunciada com alegria, emerge nas pinturas mais recentes, sinalizando uma trajetória de vida que está por vir.
A fé do artista está central neste corpo de trabalho, materializado no motivo recorrente de uma flor branca coroada de amarelo — uma homenagem subtil, mas poderosa, a Nossa Senhora. Este emblema atua como um canal de gratidão, reflectindo a jornada espiritual do artista através de delicadeza e metaforicidade, criando um diálogo entre o terreno e o transcendental.
A linguagem formal da coleção é igualmente evocativa. Cores vibrantes e pulsantes entrelaçam-se com padrões que evocam azulejaria, organizando os elementos inspirados em frescos sugerindo uma continuidade histórica e atemporal. Estes motivos estilizados transformam a tela num espaço de memória e permanência, uma casa de histórias que se entrelaçam entre as mãos da artista.
Executadas em grandes telas acrílicas, os percursos, enriquecidos com lapsos de texto, estas obras marcam um regresso à pintura após décadas dedicadas a causas sociais e à literatura.
A descrição da artista — “coleção de gestos” — encapsula a dualidade significativa — pessoal e coletiva — culminando na experiência vivida de expressão criativa, um Gesamtkunstwerk de vida.
Esta coleção não é estática. É um ecossistema de narrativas, símbolos e gestos que convida os espectadores a envolvê-lo como uma história em constante desdobramento. É um ato poético de generosidade, tecendo fios do interior de Filipa Sáragga d’Orey e oferecendo-os como um presente à imaginação coletiva.
Zé Ortigão, comissário.